Por Pedro Rodrigues

Jamais vi, em toda a minha longa carreira de técnico de basketball, um jogador que não gostasse de ganhar. A maioria dos jogadores gostava de ganhar antes de começar o jogo. Via com normalidade esta ânsia dos jogadores, esta adoração quando a bola subia, no início da partida.

O importante era ter preparado minha equipe para começar a ganhar pelo menos três meses antes da partida, o que sempre acontecia. Para que tivesse uma equipe vitoriosa, o mais importante era a preparação. Ganhei muitos jogos, aliás, ganhamos muitos jogos. Técnico sozinho não ganha jogo. Falei de relance em como transformei as minhas equipes em vencedoras.

Ao pensar em basketball, pensamos nos fundamentos do jogo, como passes, dribles, arremessos, rebotes, etc. No meu entender, o fundamental para ganhar jogos é a cabeça, ou melhor, a consciência ou a abordagem do técnico e dos jogadores.

De maior importância do que a execução dos fundamentos é dar aos jogadores o conhecimento do que faz ganhar e do que faz perder jogos. É imperioso conhecer o que o jogador sabe fazer, executar e o que o jogador não sabe fazer. Sempre tive em mente solicitar que os meus jogadores jogassem nos seus pontos fortes, mas também, tentava ajudá-los a aperfeiçoar seus pontos fracos. Esse entendimento entre pontos fortes e fracos de cada jogador é o que me fazia conhecer a minha equipe.

Estes pormenores não são restritos apenas a nossa equipe. É necessário conhecer também histórico dos adversários. Para tal, o treinador e os jogadores devem conhecer o que se chama ESTRATÉGIA.

Os animais e os nossos selvagens antepassados desenvolveram diferentes graus de diversas habilidades, entre as quais a observação, que lhes permitiria lidar com o seu meio ambiente. Em suas lutas pela sobrevivência, em suas caçadas, na defesa de seus respectivos territórios contra possíveis invasores ou violadores, eles tiveram de contar com o uso da estratégia, de forma a garantir a continuidade de sua própria existência.

Assim, a prática humana mais antiga elevada à condição de arte talvez seja justamente a da estratégia. Uma coisa fundamental: ser observador.